Startup de Fungos e Bactérias Recebe R$ 6 milhões

A Gênica, startup criada em 2015 para desenvolver fungos e bactérias que
combatem pragas no campo, recebeu investimento de R$ 6 milhões da
gestora de fundos SP Ventures. Foi o maior tíquete da gestora em uma agtech
brasileira (como são chamadas as startups voltadas ao agronegócio).

Sediada no Parque Tecnológico de Piracicaba, a empresa utilizará o aporte
para construir sua primeira fábrica na cidade, que deverá colocar no mercado
entre 300 e 500 toneladas de ativos de controle biológico por ano.
Segundo Fernando Reis, sócio-fundador da Gênica, até o momento a startup,
com 15 funcionários, apenas desenvolve em laboratório esses ativos,
reproduzidos por fornecedores. O faturamento esperado para 2018 é R$ 8
milhões a R$ 10 milhões. "Mas a expectativa de expansão é de 35% a 40% por
ano", diz o executivo.

Segundo Reis, o investimento veio em momento oportuno. "Sozinhos, nós
íamos demorar muito para aproveitar as oportunidades do mercado. Eu teria
de ir buscar capital em banco - e me endividar - ou receber dinheiro de um
fundo. Preferimos o segundo caminho", explicou.

O aporte ocorre num momento em que muitas empresas investem no
segmento biológico, diante dos problemas de resistência de plantas
registrados no mundo. Em dezembro, uma das pioneiras em controle
biológico no Brasil, a Bug Agentes Biológicos, de Piracicaba, foi comprada
pela holandesa Koppert. Antes, a Stoller do Brasil e a japonesa Arysta
LifeSciense também investiram no setor.

O mercado de biodefensivos ainda tem um forte potencial de crescimento no
mundo. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico
(ABC Bio), o mercado de biodefensivos agrícolas cresce entre 10% e 12% ao
ano no mundo, e no Brasil deverá avançar 15%. No país, os produtos
biológicos correspondem a entre 1% e 2% dos US$ 9,6 bilhões do mercado de
químicos agrícolas.

A expansão do setor ocorre na esteira do crescimento da resistência de pragas
e doenças aos produtos químicos tradicionais, utilizados na agricultura
intensiva. Custos altos e com tempo de desenvolvimento extenso, as
moléculas químicas passaram a ser cada vez mais complementadas pelo uso
de microorganismos no combate a doenças e pragas das lavouras – opção mais sustentável e barata.

Fonte: http://www.valor.com.br/legislacao/fio-da-meada/5083970/limites-do-planejamento-sucessorio